17 dez 2018
O mundo vive um momento de grandes transformações
Foto: Divulgação

Celso Ming, jornalista especializado em Economia, colunista do jornal paulista O Estado de S. Paulo e recentemente eleito um dos mais admirados Jornalistas brasileiros do segmento de Economia, Negócios e Finanças, iniciou sua carreira em 1966. Para ele, estamos vivendo um dos momentos mais importantes da história da humanidade, com uma nova revolução industrial, e de grandes transformações sociais e econômicas.

Revista Viajante – Como você vê o cenário mundial e as oportunidades para o Brasil hoje e nos próximos?

Celso Ming – O mundo vive um momento de grandes transformações e exigirá do ser humano acompanhar os acontecimentos e se adequar a esse novo ritmo cada vez mais intenso em todas as atividades. E essa mudança, de velocidade extrema é tão importante que um dia em futuro de 30, 40 ou 50 anos historiadores ou pensadores irão considerar este momento tão marcante como o Renascimento, a Revolução Industrial, o Iluminismo.

Simultaneamente, ocorre um outro episódio, muito relevante e que abre incríveis oportunidades para as empresas brasileiras que atuam no mercado internacional, que é o crescimento da classe média, em torno de 120 milhões a 140 milhões de pessoas por ano, especialmente na Ásia, em países como China, Coreia, Tailândia, Índia, na África, nos países árabes e outras regiões do mundo, como a América do Sul.

Esse crescimento é acompanhado da elevação do padrão de exigência dessa classe média, ao mesmo tempo, ressentida por não receber tudo o lhes foi e continua sendo prometido pelos governantes. Também, essa mesma classe média envelhece, aumentando o contingente dos que necessitam de assistência, em termos de saúde, segurança, previdência.

Viajante – Porque as populações estão descontentes?

Celso Ming – Porque os governos não entregaram e nem estão entregando o que prometeram, e o crescimento e envelhecimento da população exigem mais recursos para aplicações antes não planejadas. Antes se pensava na construção de creches e escolas para a população mais jovem, agora também são necessários investimentos em casas e hospitais para os mais velhos. Sem receber o necessário para a cobertura mínima, essa população está descontente e procurando outras formas de sobreviver dignamente. O total de aposentados aumenta, assim como os custos para atendê-los e a despesa é cada vez maior que a receita.

Viajante – E como essas transformações vão impactar o Brasil e o mundo?

Celso Ming – É uma nova revolução industrial, só que de maneira mais intensa e seletiva, com toda a nova era da tecnologia da informação e da conectividade, Indústria 4.0 e até aplicativos afetando a empregabilidade e com mudança na estrutura do emprego, caminhando para a ocupação ligada a serviços. Ao mesmo tempo, grande crescimento de atividades autônomas e independentes. Profissões estão se extinguindo e surgindo novas ocupações. A simples invenção das rodinhas nas malas de viagem acabou com o carregador e as pessoas passaram a puxá- las sem qualquer esforço. Em muitos outros setores esse fenômeno também está ocorrendo.

A tecnologia da informação, que tornou mais ágil a comunicação faz com que, hoje, com celulares as pessoas se comuniquem instantânea e globalmente, mas também gerando movimentos sociais que causam reflexos em todo o mundo. Como as ações de protestos populares de pessoas que emigram de seus países em várias regiões do mundo, como a marcha de habitantes da América Central passando pelo México com o objetivo de ingressar nos Estados Unidos onde aspiram encontrar a vida tranquila e próspera que desejam.

No caso do setor automotivo e de transportes, os maiores desafios e mudanças ocorrerão na forma e na maneira com que as pessoas vão se locomover. A mobilidade e o veículo como é conhecido hoje vai mudar radicalmente, como foi demonstrado em importantes e recentes eventos internacionais, como a IAA, na Alemanha, e o Salão do Automóvel de São Paulo, com apresentações de veículos elétricos, híbridos e autônomos.

Hoje, a Amazon já utiliza drones em suas entregas. Ou seja, não se limita mais às vias terrestres ou tradicionais. E é assim que as coisas vão acontecer: velozes e imediatas.

Voltando ao setor automotivo e de transportes, estamos acompanhando o fim da motorização de ciclo Otto e do Diesel. Em 30 ou 40 anos, outras formas e fontes energéticas vão ocupar este espaço, como a elétrica e a autônoma. E todos nós, precisaremos estar preparados para essa nova realidade. Neste aspecto, apesar de contar com um setor empresarial atuante, o Brasil está muito defasado por estar acostumado a receber benefícios como um bebê que precisa de cuidados especiais.

Com o aumento e o envelhecimento populacional crescerão as necessidades de alimentos e de transportes. E o Brasil pode posicionar-se fortemente. A agricultura avança de forma invejável, ampliando seguidamente as suas safras e as exportações de alimentos, com a aplicação das mais modernas tecnologias e sem aumentar as áreas produtivas.

No segmento de transportes, o País também se posiciona com destaque, especialmente na produção e exportação de automóveis, caminhões e de ônibus.

Viajante – O que o Brasil precisa para acompanhar ou liderar este momento de transformações?

Celso Ming – Em meio a esta revolução, o Brasil desfruta de aspectos muito positivos, a despeito da carga tributária, da deficiente logística e infraestrutura para o escoamento dos produtos, e sem os recursos necessários para rápidas operações de carga e descarga nos portos.

Somos um país sem crise cambial, com reservas de US$ 380 bilhões. Diferente dos anos de 1980 e 1990, temos um sólido sistema financeiro, com instituições fortes. Outro aspecto importante é a inflação sob controle, da ordem de 3% a 4% ao ano, o que garante estabilidade para o consumidor.

Também a agricultura brasileira dá show com recordes de safras e a aplicação de avançadas tecnologias. Outro componente importante é o segmento de petróleo, com investimentos previstos de R$ 1,4 trilhão nos próximos dez anos, que pode promover grande crescimento e a abertura de empregos. Esses segmentos vão proporcionar grande capacidade ao Brasil, o que a maioria dos países mundiais não têm.

O setor automotivo e de transporte pode promover o crescimento brasileiro. Somos um País de cultura automobilística, mas precisamos urgentemente aderir e dominar a tecnologia elétrica para sermos um grande exportador e fornecedor de veículos.

Eu mesmo tinha desconfiança da tecnologia elétrica, mas reconheço que com a evolução das baterias e da matriz energética menos poluidora e sustentável, grande anseio do momento, mudei completamente de opinião.

Viajante – o que podemos esperar deste novo momento do Brasil?

Celso Ming – O Brasil tem a partir de agora desafios fundamentais e importantes a serem resolvidos para poder crescer e dar “o pulo-do-gato” em meio a este momento de transformações. Sem resolver a questão fiscal, não vai crescer porque com o déficit atual não há e nem haverá recursos para investir em infraestrutura e apoiar o desenvolvimento.

Outros pontos essenciais são a questão tributária e a reforma política. As empresas brasileiras não conseguem ser competitivas com o panorama atual de tributação e assim, não poderão atuar com eficácia no mercado internacional. O País precisa seguir o que está acontecendo em todo o mundo e simplificar e reduzir a carga tributária.

Também estamos em um momento de impasse, apesar de todo o otimismo imediato do mercado financeiro. O novo presidente e sua equipe de governo têm capacidade para fazer dar certo, mas as divergências e desencontros nas ações anunciadas preocupam e causam incerteza e insegurança. Efetivamente, somente a partir de 1º de janeiro que poderemos saber, mas se tudo der certo, acredito em um dólar no patamar de R$ 3,50. Se não der…..

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